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sábado, 15 de janeiro de 2011

Memorial - Carlota Nunes de Almeida




Memorial

Os anos, os fatos, os atos e os contextos
Retrato de uma memória

Carlota Nunes de Almeida


 





MUCAJAI - RORAIMA
NOVEMBRO - 2010











­­­­      SUMÁRIO  _


1.    Os anos, os fatos, os atos, e os  contextos
2. Primeiras palavras.
3.    Esquemas descritivos de sentidos e percursos atuais,
4.   As disciplinas cursadas, Língua Portuguesa e Matemática
 5.   Atividades desenvolvidas no curso de Pedagogia na FARES - Faculdade Roraimense de Ensino Superior.
 6.  Atividades desenvolvidas na Pós-Graduação/FACETEN– Faculdade de Ciências e Teologia do Norte do Brasil.
7. Atividades profissionais e Cursos desenvolvidos, ofertados pelo CEFORR - Centro Estadual de Formação dos Profissionais da Educação de Roraima.
8. Especialidades e Atualidade
9.  Últimas palavras, ou das considerações finais
10.   Referências
   Anexos

 

Os anos, os fatos, os atos, e  os  contextos

Retrato de uma memória

         Gostaria desde já de manifestar minha recusa a certo tipo de crítica científica que insinua faltar rigor no modo como discuto os problemas e na linguagem demasiada afetiva que uso, pois sou uma nordestina nato do interior do Ceará, amo o meu Estado embora esteja em outro estado que me acolheu, Roraima onde aqui construí uma família. A paixão com que conheço, falo ou escrevo não diminuem o compromisso com que denuncio e anuncio. Sou uma inteireza e não uma dicotomia. Não tenho parte esquemática, meticulosa, racionalista e outra desarticulada, imprecisa, querendo simplesmente bem ao mundo.    Conheço com meu corpo todo, sentimentos, paixão. Razão também. (FREIRE, 2001, p. 18)
Primeiras palavras­­­­­­­­­­­
             Ano de 1980. Tinha profissão: professora de Educação infantil, aos 16 anos de idade. Sentia-me grande. Da família de 12 filhos era a 5ª, meu Pai agricultou, minha Mãe Rainha do lar,  minha responsabilidade em relação aos meus pais e irmãos se ampliava à medida que a compreendia como necessidade existencial. Esse sentimento se tornou mais decisivo em minha vida quando percebi que não bastava zelar apenas pela minha família, mas por todos aqueles que me cercavam.
          Para viver é preciso responsabilizar-se, comprometer-se com a vida... Nesta perspectiva, acreditava (acredito) que se cuidasse dos meus próximos, cada próximo cuidaria dos seus próximos até formar uma grande teia planetária de cuidado com a Vida.
      Duas experiências, diretamente, relacionadas à escola, foram marcantes e decisivas para minha trajetória existencial como filha, mulher e professora-educadora-pesquisadora. Penso que tenha sido decisiva para que eu pudesse enveredar por esse desconhecido, ao mesmo tempo fascinante e aterrorizador, fenômeno humano, suas relações e processos de formação.
      A primeira, relatada no meu projeto de Graduação em Pedagogia, consiste na história de uma mulher que terminou sua graduação aos 43 anos pelo sentimento de exclusão e humilhação engendrado pela escola, ou melhor, pelas pessoas que administra as instituições se fala tanto em democracia mais existem alguns que em função de um cargo pisam humilham e ate demitem quando não obedecem aos seus caprichos. Tenho que justificar  que por conta da minha idade, aos 17 anos, cursando a 5.ª série,  seria uma péssima influência para o desenvolvimento das outras crianças mais novas, sem falar, segundo esses “educadores”, no transtorno psicopedagógico que sua presença causaria.
        A segunda experiência marcante se refere à está  jovem que precisava concluir o ensino fundamental, visando prestar seleção em algumas empresas  para se manter e continuar seus estudos.  Ela começou a trabalhar numa metalúrgica em Osasco da grande São Paulo aos 19 anos de idade, num turno ia para a escola e no outro para a Fabrica.   Que  era uma empresa de grande porte. Trabalhava durante o dia, à noite freqüentava a escola. Certamente, muitas vezes, com fome e muito cansada por não ter tempo para fazer a comida.           Os supostos educadores desconheciam a minha história de vida, aquela jovem, nem sabiam sequer seu nome, muito mal quando faziam a clássica chamada. Penso que, inclusive, nem consideravam esse aspecto importante. Se alguns poucos professores eram cientes de sua trajetória, ignoravam-na completamente. Ademais, segundo eles, nada tinham com a vida particular dos estudantes.
      Bem, o fato é que ela, na 8.ª série, pagando colégio particular, os Pais chegando do Nordeste tinha que trabalhar para sustentá-los, mudamos para Carapicuíba onde comecei estudar em uma escola Estadual, onde conclui o ensino médio. Em seguida fiz o curso de Teologia Pastoral onde aprendi coisas que ate então não sabia a “valorização á vida” Coisas que  a escola,  até então com essa atitude, ignorou a Vida; e “viveu” como se tudo o que se “aprendesse” nela, se fechasse nela mesma. A escola o excluiu do campo de suas possibilidades. Ela precisava de educadores atentos, dispostos a acolher sua experiência, com seus projetos, sonhos e desejos... O que lhe aconteceu? “Essa jovem “desistiu” da escola, “ “desistiu” do seu projeto”.
       Desistiu de fazer um curso superior, não havia possibilidade além de trabalhar o período integral, a faculdade era cara e tinha que ajudar a família.
      Quando me casei chegando em Roraima no ano 2000 em seguida no ano 2003 comecei trabalhar na Escola Estadual Jesus de Nazaré exercendo a função de Vice Diretora, trabalhei durante um ano estando grávida sai para licença maternidade retornando me demitiram com a desculpa de que no estado escola de pequeno porte não tinha mais vice diretor, em seguida, ingressei na faculdade Roraimense de Ensino Superior em 2005, através do curso de Pedagogia  estudei mais profundamente os pensamentos de Paulo Freire, e, principalmente, a sua biografia, percebi o que estava implícito nas atitudes daqueles professores. O não-dito era mais perverso do que até o ato de explícita exclusão.
       Além disso, compreendi a responsabilidade dos educadores diante da vida dos seres humanos. E considero Paulo Freire um dos mais fortes exemplos do acolhimento recebido por educadores que tiveram a sensibilidade de possibilitar o desenvolvimento de sua capacidade criadora, e anunciar a possibilidade de que podemos quando queremos. Lembrando, aqui, Max Weber (1992) ao afirmar que: no que diz respeito às ações humanas, nunca podemos ir além do “eu quero”, p. 160.
         Paulo Freire, aos 13 anos de idade, perdeu o seu pai, numa cidadezinha do interior pernambucano, em Jaboatão, cerca de 18 quilômetros distante de Recife. Nela, ele experimentou a dor da perda, conheceu a solidariedade dos amigos, naqueles tempos difíceis, sentiu o sofrimento de sua mãe, precocemente viúva, lutar para sustentar a si e aos seus quatro filhos, fortaleceu-se com o amor que entre eles aumentou por causa das dificuldades que juntos enfrentavam.
      Nesse momento, agora, o mais significativo é compreender o quanto podemos quando acolhemos um ser humano. Essa descrição feita por Paulo Freire nos revela o que estou tentando evidenciar.
      Eu fiz a escola primária exatamente no período difícil, havia muitas dificuldades, suficiente para atrapalhar o aprendizado. Quando terminei meu Primário, era baixa, magrela, a minha mãe costumava me chamar de sibita.  Usava roupas que minha irmã numero 1 mandava de São Paulo. E as mesmas enormes, sublinhavam a estatura baixa da adolescente. Eu consegui  fazer, Deus sabe como,a 5ª serie com 17 anos. Idade com que meus colegas de geração, cujos pais tinham dinheiro, já estavam entrando na faculdade. Fiz essa serie por dois anos em uma escola municipal por nome Silvestre Almeida Duarte no interior do Ceara, só havia escola primária.  Então, foi quando fui para São Paulo e por incentivo do meu chefe Sr. Jaime onde eu trabalhava, voltei a estudar, foi uma verdadeira maratona para conseguir um colégio que me recebesse. Finalmente encontrei o Colégio Aplicação no centro de Osasco.
         No seu livro Pedagogia da Esperança, Paulo Freire afirma que, às vezes, pensamos nos acontecimentos vividos como se não tivessem relação alguma uns com os outros e não se auto-organizassem para agenciar outros eventos/acontecimentos. Contudo, segundo ele, quando paramos para rememorar nossa trajetória de vida, percebemos quantos textos nos foram aparecendo e nos revelando o que deveríamos fazer/dizer, e nem nos damos conta desse processo. Só depois de algum tempo, notamos suas (inter) relações.
        Pensando sobre isso, lembro-me de um fato curioso e, aparentemente, sem relevância, ocorrido no início de 2005 ano do meu ingresso na Faculdade, quando trabalhava na prefeitura de mucajai, num setor denominado Creche Dr. Silvio Lofego Botelho , um lugar responsável por Crianças de 1 ano e 6 meses a 3 anos onde a função é Amar Cuidar e Educar e/ou resolver problemas burocráticos e administrativos dos funcionários. Exercia a função de vice diretora, logo em seguida passando a ser gestora.
      Hoje, lembro esse fato como um ícone, que nos remete ao campo de compreensão existencial do nosso ser-no-mundo-como  Acredito que a vida sinaliza nossos caminhos; precisamos de olhos para vê-los, compreendê-los, fazermos escolhas e decidirmos o quê, o para quê, o por quê e o como fazer-dizer-agir. Agora já sei que aquele sinal icônico (poderíamos dizer, aquele texto), precisava ser lido e compreendido por mim para que eu pudesse trabalhar na Sagrada Arte de Educar. Sinto que uma Mulher educadora está livre da miséria.
      Bem, vamos ao fato. Não sei por que mais foi uma experiência inesquecível alguns me trataram como se eu não fosse capaz para exercer tal função fui humilhada pisada por alguns superiores da época chegando a pensar em desistir do cargo que exercia, más como sou uma pessoa persistente continuei no cargo. Depois que resolvi voltar a estudar a vontade que sinto é de nunca mais parar, leio livros  faço pesquisas e quero mais sempre mais...  De qualquer forma, também, através dos meios de comunicação quando comecei a conhecer as novas tecnologias a cada dia os novos recursos me atraem mais, compreendo o meu processo e minha verdadeira vocação, pelo que agradeço imensamente a minha família e especialmente ao meu esposo Valmir Cruz que tem me dado muito apoio, e não esquecendo a nossa “vidinha” Marília que na época tinha apenas 3 anos por isso fui alvo de muitas criticas por conta do apego que tinha com a mesma, eu costumo dizer que ela é uma obra prima que Deus me presenteou  por isso celebro a vida. Celebro também os acasos, pelos quais as coisas vão acontecendo e a gente acontecendo nas coisas...
 




Meus amores na pedra da paixão Cristo”.


        Só agora me dou conta de toda essa rede de relações, entre a minha vida meus amigos minha trajetória minha origem familiar, isto é, pertencer a um grupo ainda, socialmente, desprestigiado; passar por aquelas duas vivências fortes com a escola; ter sido professora-educadora, da rede municipal e estadual e de ensino religioso, de crianças, jovens e adultos desprivilegiados socialmente. Quando defendi o meu TCC me prontifiquei na defesa do meu povo para que possamos viver em um País democrático, onde possamos construir “novos cenários de competência administrativa”. Onde o profissional seja valorizado e tratado como ser humano.
        Aquele não era um trabalho qualquer, era uma das mais importantes obras que influenciou a minha formação como educadora/ser humana-humanidade. Muitas vezes, quando preciso, enfrentava tanques de guerra com uma faquinha na mão, inspirada por suas palavras e fortalecida pelas suas sínteses compreensivas:
        A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade. Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa. [...]
      Como aprender a discutir e a debater com uma educação que impõe? Ditamos idéias. Não trocamos idéias. Discursamos aulas. Não debatemos ou discutimos temas.
      Trabalhamos sobre o educando. Não trabalhamos com ele. Impomos-lhe uma ordem a que ele não adere, mas se acomoda. Não lhe propiciamos meios para o pensar autêntico,  porque recebemos as fórmulas que lhe damos, simplesmente as guarda. Não as incorpora porque a incorporação é o resultado de busca de algo que exige, de quem o tenta, esforço de recriação e de procura. Exige reinvenção. (1980, p. 96)



          Sem dúvida, estou me referindo ao livro de Paulo Freire, Educação como prática da liberdade. Aprendi com ele que as relações humanas guardam em si conotações de pluralidade, de transcendência, de criticidade, de conseqüência e de temporalidade. E estar-no-mundo-com resulta da nossa abertura à realidade, que nos fazer o ente de relações que somos. Esta concepção me impulsionou a ler outros livros e outros autores.
        Ora, é importante esclarecer que, também, sei que a escola não é o aspecto determinante para a felicidade, a realização do indivíduo e do seu grupo social. Porém, ela pode, porque é gente, mudar o rumo da trajetória existencial de um ser humano, e isso tanto do ponto de vista da preservação quanto da destruição da vida. Nesse sentido, considero que um dos seus papéis fundamentais é ampliar o campo de possibilidades dos educadores. Se desejam/planejam se capacitam ou se desejam/planejam ser Especialistas em alguma área. Que sejam! Ou caso decidam não ser, que não - sejam. Mas, por outras circunstâncias e outros fatores, não pela escola, mas pela escolha da vocação, sejam profissionais vocacionados tenham amor a profissão.
        Obtive a conclusão do primário no Estado do ceará, já na grande São Paulo terminei o ensino fundamental, médio e teologia Pastoral, no primeiro semestre de 2005, já no Estado de Roraima passei no vestibular da Faculdade Roraimense de ensino Superior (FARES), no curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Concluindo-o em 2008. Esse período foi muito intenso, certamente todos os trabalhos realizados na faculdade, também os promovidos fora dela — como os Encontros Regionais  dos Estudantes em  pedagogia  me possibilitaram um enriquecimento indescritível, promovendo exercícios de reflexão e análise da formação humana e profissional.

      Por outro lado, profissionalmente trabalhar numa comunidade carente, com crianças, me aproximou mais de mim mesma, educando-me como educadora. Porque cada encontro com eles era um encontro comigo mesma. Revia meus conceitos, minha prática, lia mais os autores não numa perspectiva de encontrar uma receita, mas de alimentar meu espírito para saber o que falar/dizer/agir na prática, nas aulas, no dia-a-dia quando muitos chegavam com fome, quando não tínhamos nem carteiras para sentar só água para beber. Às vezes, nada fazia sentido a não ser nosso encontro; parecia que era a única razão aceitável: estarmos juntos, nos encontrarmos.

 




       “Não posso viver de mentiras, de mascaras e interesses. Não sou assim, não piso em ninguém para conseguir o que eu quero.  Ainda acho que o talento fala mais alto, e que o sentimento move o mundo. E por mais que eu sofra e me decepcione com as pessoas, continuo querendo mudar o mundo”.
     “Amo intensamente, espero ser contribuída, tenho sempre a quem recorrer”. “Deus”...






           Carlota conclusão em pedagogia, 2008...

         

         Em 2008 faltando um semestre para a conclusão da minha graduação, fui demitida da creche Dr. Silvio Lofego  Botelho por conta de uma denuncia que não poderia exercer o cargo sem a graduação, portanto, fiz a graduação e duas especialização em psicopedagogia e gestão escolar pela FACETEN Faculdade de Ciências e Teologia do Norte do Brasil. Tive a oportunidade de ler vários  livros de autores preocupados com a questão da administração, dificuldade de aprendizagem, e outros transtornos. Em seguida fiz Pro letramento Programa de Formação continuada de Professores, onde aprendi o uso, da função da linguagem, dos aspectos neurolingüísticos , da tipologia textual; entre esses autores, destaco: Antonio Augusto Gomes Batista , Ceris Salete Ribas da Silva Maria das Graças Breguince  Maria Lúcia Castanheira, Sara Mourão   Monteiro entre outros, que me possibilitaram e me enriqueceram no sentido de compreender a pluralidade de idéias, de conceitos, de tipos, de funções, de variantes lingüísticas e de culturas.
        Compreendi, nesse período de estudo, mais enfaticamente, que uma das variantes da língua não poderia ser concebida como a certa e a melhor, tampouco ela está de antemão pronta, dada como um sistema de que o sujeito se apropria para usá-la, mas que o próprio processo interlocutivo, na atividade de linguagem, está sempre e cada vez a reconstruindo (GERALDI, 2002). Ademais, observei que para aprender as formas mais padronizadas e prestigiosas da língua, não é necessário conhecer a nomenclatura gramatical tradicional, as definições tradicionais, nem praticar a velha e mecânica análise lexical e muito menos a torturante análise sintática. No entanto, é necessário o aprendizado da dinâmica da língua tecida pelos seus falantes e usuários, bem como acompanhar o movimento de seu realinhamento interno, provocado pela dança dos sujeitos nos seus contextos sociais historicamente delineados.  Na vivência intensa dessas releituras, percebi que, assim como as línguas, os seres humanos são textos (e contextos), constantemente, em formação.
      Desse modo, esses estudos me levaram a ver-e-fazer uma releitura dos textos de cada ser humano. Em cada ser humano a possibilidade de releitura do texto da humanidade, como um processo de construção permanentemente aberto aos fluxos e aos contextos da vida-vivente. Essa perspectiva me favoreceu, também, compreender o indivíduo como uma unidade plural e em potência, pertencente a uma mesma constelação humana planetária. Sentia que, com tudo isso, minha prática pedagógica se renovava e se revigorava  conjuntamente.
     Em 2009, no primeiro semestre, fui convocada pelo Atual Prefeito Elton Vieira Lopes para exercer cargo de chefia, Gestora da Escola Municipal Irmã Leonilde Dal Pos - Teoria e Prática me possibilitaram mais um processo de reconhecimento do meu nome e das minhas origens. A forma de administrar promoveu a revelação, com muita propriedade, deste meu processo. No qual continuei com os profissionais de educação com base em leituras, entre os autores estudados, destaco:  Piaget, Winnicott, Wilber, Freud, Melaine Klein e o próprio Luckesi não esquecendo Paulo Freire que uso como embasamento para minha carreira Profissional.
         Nesse mesmo ano, através da Secretaria de Educação em parceria com o CEFORR Centro Estadual de Formação dos Profissionais da Educação de Roraima  fui convocada a participar do PROGESTÃO Programa de capacitação a Distancia para Gestores. Nesse período, obtive aproveitamento em algumas disciplinas e fiz Especialização em Gestão Escolar, em seguida iniciei o GESTAR I Programa de Gestão da Aprendizagem Escolar, duas disciplinas, Português e Matemática, Tivemos como tutores: Maria José e Ivo Brasil, no qual aprendi muito na prática usando o material concreto rememorei a minha escola, percorrendo desde o caminho que fazíamos para  chegar nela,  até as brincadeiras de infância, que tanto contribuíram para o aprendizado da minha sensibilidade. Entre os autores estudados, destaco: Maria Antonieta Antunes Cunha, Cristiano Alberto Muniz entre outros.
         Esse período foi interessante, porque, simultaneamente, vivia o processo de Teoria e Prática o que me possibilitou ficar atenta ao processo  de formação de professores nas nossas escolas públicas e iniciar um processo de investigação do impacto no aprendizado dos estudantes frente a essa demanda.
         Os estudos que desenvolvia, conjuntamente com alunos e professores, no programa de GESTAR I em Educação do CEFORR - Centro Estadual de Formação dos Profissionais da Educação de Roraima, me possibilitaram fazer os contrapontos, levantar algumas hipóteses, sistematizar algumas idéias e evitar certo tipo de pessimismo ingênuo tomado por  alguns  dos meus colegas de trabalho em relação ao curso. Os tutores foram excelentes, dedicados e com a colaboração dos cursistas e  tutores nossos trabalhos, eram desenvolvidos de forma coletiva, material para estudo, registros os encontros, anotações, fotos, fatos e relatórios.
 





Esquemas descritivos de sentidos e percursos nos tempos: passado, presente e futuro... De minha vida escolar.

[...] a educação deve aspirar não só o instilar o saber, mas a formar o coração, o espírito e a capacidade de julgamento. (ROUSSEAU, 1999)
Nesse período, 1983 – 2010 vivenciei (e vivencio) a intensidade da produção do conhecimento e ampliei o campo de possibilidade de atuação educacional e profissional. A seguir, destaco: os cursos e formações que Conquistei.

·         Educação Infantil e Primário, Escola Municipal, em Bela Vista Cariús  interior do Ceará.


·         Ensino Fundamental, no Colégio Aplicação em Osasco – SP.

·         Ensino Médio em Uma Escola estadual, em Carapicuíba – SP

·         Técnico: Teologia Pastoral, na Diocese de Osasco - SP

·         Graduação: em Pedagogia FARES Faculdade Roraimense de Ensino superior

·         Pós graduação em Psicopedagogia e Gestão Escolar FACETEN – Faculdade de ciências e Teologia do Norte do Brasil.

·         Cursos: Pro letramento, Pro gestão e Atualmente Gestar I. CEFORR.

      Em cumprimento ao curso apresento de forma crítica a idéia central do texto O que produz e o que reproduz em educação, alguns trabalhos,  bem como a elaboração e a organização dos relatórios  produzidos pelos componentes do grupo. Como trabalho final, produz e apresento meu memorial. O primeiro momento,  uma tensão interrogante para uma interpretação do contexto atual da educação básica; o segundo, O trabalho como expressão maior da condição social humana. Participei, também, de todas as aulas programadas e os debates realizados em sala.
      Nele, vivenciamos muitas experiências distintas, uma de observador das apresentações dos relatórios e das contribuições das chamadas “parcerias” dos projetos socializados, anotando, quando necessário, aquilo que se mostrava como importante para o desenvolvimento da minha pesquisa; outro, de apresentador efetivo de meu memorial e, finalmente, o de “parceria”, que eu prefiro chamar tutor-colaborador.  Essa experiência foi muito significativa, além de possibilitar a preparação para a maturação do curso de um modo geral, também, aproximou pessoas e proporcionou um fortalecimento dos vínculos afetivos entre os participantes, favorecendo o cuidado ético e solidário com o dizer-fazer de cada um.
      Atividade acompanhada, orientada supervisionada e aplicada pela professora, essa que vos fala Carlota Nunes de Almeida.

      Essa atividade se desenvolveu através das disciplinas – Português e Matemática, tenho minha convicção frente às possibilidades de fazer da sala de aula uma grande festa do conhecimento   participei do planejamento das aulas, da seleção da bibliografia e do material didático utilizado, preparando algumas ações pedagógicas propiciadoras de partilha de conhecimentos e sabedorias múltiplas.

      Considero que essa experiência foi muito significativa para o meu processo de formação humana, tanto no plano pessoal quanto profissional. A leitura de textos e a reflexão crítica dos autores apresentados e discutidos, em sala, com os estudantes, tais como: Alunos da Escola estadual Maria Maricelma, possibilitaram rever e aprofundar alguns conceitos específicos da área de educação, português e matemática,  fato que favoreceu o desenvolvimento das  minhas aulas e a sistematização crítica de alguns aspectos teóricos pertinentes ao curso, apresentei  relatórios, descrevendo e analisando a experiência vivida pelo/nosso  grupo. Ampliei e amadureci as questões relativas à educação. Participar desse curso me proporcionou  rever minhas perspectivas em relação à docência, à pesquisa, à linguagem, à teoria, à prática, à sociedade, à escola, à cultura, à cognição, à aprendizagem a  natureza dos conteúdos, à metodologia, à ciência e cientificidade, ao indivíduo, ao ensino, ao pensamento, ao papel social da escola, aos processos mentais, físicos, emocionais etc.
Todos os encontros/momentos e movimentos me proporcionaram um intenso exercício de produção do conhecimento.
        A partir do desenvolvimento desses estudos, aprofundei questões referentes à minha pesquisa do curso, amadureci as perspectivas de educação, compreendi mais claramente os processos de - com - humana, como também pude articular outras idéias e levantar outras problemáticas para pesquisa ora apresentada na pratica. Além disso, com os colegas de curso e os educadores  mencionados, troquei idéias, contrapus outras, argumentei, discordei, concordei, acolhi sugestões, ouvi, falei; nos enriquecemos mutuamente em autênticos diálogos fundamentados nos princípios de humildade, solidariedade e dignidade humanas.
        No decorrer desses estudos, compreendendo que a pesquisa  no âmbito das leituras e das (re)construções contínuas de produção textual, senti uma necessidade muito acentuada de desenvolver uma pesquisa baseada no Emílio de Rousseau. Primeiro, em virtude de ter sido Jean-Jacques Rousseau um dos grandes influenciadores da concepção da “escola nova”, pautada nos princípios do respeito, do diálogo, da cooperação, do autoconhecimento e da relação efetiva para a construção significativa da aprendizagem. Por outro lado, fascina-me a leitura interpretativa de alguns críticos perante a dicotomia entre a obra de Rousseau e a sua trajetória existencial como homem/amante e pai.
        Partindo dessa motivação inicial, li o Emíle, estruturei algumas idéias que eu considerei importantes como ponto de partida para uma pesquisa mais aprofundada e apropriada. Ao término da leitura do Emile, tive a sensação de ter lido outro autor, muito diferente daquele que “conheci” através de seus intérpretes. Queria, inicialmente, apenas estudar essa obra (Emile), mas a curiosidade de me aproximar dele não está me permitindo isso, sentimento que me impulsiona a ler outros livros, simultaneamente, como exemplo, Os devaneios de um caminhante solitárioCartas A D’Alembert e Confissões.
      Fiquei impressionada, durante a minha pesquisa bibliográfica de Pós-Graduação em Gestão Escolar, como Rousseau, mais especificamente, o Emíle Durkheim, no campo da História da Educação, Filosofia da Educação, Psicologia da Educação, Sociologia da Educação, direta ou indiretamente, era remetido a mim, e, embora fundamentados em sua teoria, a maioria dos livros lidos fazia leituras interpretativas desqualificando sua obra, no tocante, por exemplo, às questões feministas, ao “mito do bom selvagem”, às questões da necessidade de afastamento da convivência social para não corromper esse “bom selvagem” entre outras.
      Por isso, quero reafirmar que meu projeto de Pos graduação é a possibilidade de trazer Rousseau para uma releitura de suas idéias. Sei que é possível, também com Rousseau, propostas pedagógicas efetivas de trabalho, concretamente articuladas com a vida, que dêem conta da emergência educacional atual. Preciso, como educadora, co-responder a urgente necessidade de mais vozes, poligogicamente falando, a serviço da vida-vivente.
Atividades profissionais desenvolvidas
      Atualmente, estou no curso de capacitação GESTAR I Programa de Gestão da Aprendizagem Escolar, curso que  capacita professores  nas instituições de ensino.
      No inicio do curso  exercia a função de Gestora da Escola Municipal Irmã Leonilde Dal Pos.  Sendo que por questões políticas fui demitida em junho de 2010, anteriormente  junto à Secretaria era desenvolvidos e discutidos Assuntos Acadêmicos, entre outras atividades, acompanhando os cursos de capacitação análises processos relativos ao ensino e aprendizagem e participação da criação de espaços de interlocução acerca dos projetos pedagógicos construídos pela comunidade escolar.
.     Parte do tempo, era dedicado a dialogar com os professores, com os colegas de trabalho co-responsáveis, junto comigo, pela dinâmica da valorização dos profissionais de educação na área  atuante.
     Quando afirmo acima que me dedicava a dialogar é porque compreendo que antes de qualquer outro componente, a linguagem fulcra-se como evento (OSAKABE, 1988). Ela, segundo Geraldi (1991; 2002), faz-se na linha do tempo e só tem consistência enquanto real na singularidade do momento em que se enuncia. A natureza do processo constitutivo da linguagem e, conseqüentemente, dos sujeitos de discurso ocorre na relação com essa singularidade.
      Obviamente, os acontecimentos discursivos, precários, singulares e densos de suas próprias condições de produção fazem-se no tempo e constroem história. “Estruturas lingüísticas que inevitavelmente se reiteram também se alteram, a cada passo, em sua consistência significativa.
      “Passado no presente, que se faz passado: trabalho de constituição de sujeitos e de linguagem” (GERALDI, 1991, p. 05).
      Assim sendo, desenvolvendo essas atividades, tanto nas escolas quanto na comunidade, percebemos  a necessidade urgente de refletirmos coletivamente acerca de projetos, tendo em vista os eventos promovidos pela escola, a qualidade da relação humana estabelecida no interior desses eventos (nessas instituições educacionais e comunidade) e a qualidade individual dos profissionais da educação que, no processo de sua formação, contribuiriam para a formação de outros seres humanos.
       As palavras de Drummond revelam o ser humano em sua singularidade; a capacidade de mudar, de construir a história.
Sua existência, torna-se sua obsessão, somos seres em busca, que não nos contentamos somente como o que podemos ver, queremos a transcendência.
      Assim penso minha carreira profissional, reflexo dessa busca incessante de respostas para as questões que o tempo presente impõe.
No campo profissional, minhas escolhas são constantemente alvo de considerações, pois diante do olhar do outro, o que faço parece chegar a uma encruzilhada, um trevo com várias saídas, muitos caminhos têm-se a sensação de que não sei para onde me dirigir; no que me toca, prefiro pensar que muitos não se deram conta de que meu olhar é multidisciplinar.
        Embora esta imagem tenha sido construída, ela não revela toda realidade. Relembrando Platão, sabemos que nossos sentidos as vezes nos enganam, assim é bom duvidar daquilo que se conhece superficialmente.
     Considerando isto, gostaria que minha carreira profissional fosse vista além da superficialidade, pois o que somos profissionalmente reflete o que buscamos incansavelmente em determinados momentos, pretendemos dar respostas ao projeto de vida que queremos viver.
     Sendo assim, não posso me deixar ver como profissional sem história.
    Minha busca vai além dos muros da universidade, pois quem educa, vê o mundo que se desnuda com seus diferentes matizes, dia a dia, diante do olhar.



Especialidades e Atualidade

      Produzir este memorial me possibilitou um estar comigo mesma em comunhão com a vida-abundante, isto é, sem medo e dependência psicológica. Fiquei diante de mim, por muitos dias. Fiquei feliz, me conhecia. Lembrei que para Jean-Jacques Rousseau, o conhecimento de si não é um problema, é um dado: “Passando minha vida comigo, devo conhecer-me” (apud STAROBINSKI, 1991, p.187).

        Produzindo esse memorial, pude voltar ao passado, rever papéis antigos, revirar artigos, textos produzidos recordar o passado a infância, também revivi tudo que produzi como educadora, como atuante nas escolas. Promovi uma espécie de encontro comigo mesma, de maneira vívida e radical.
        A vivência do reviver o vivido me provocou um pensar sobre o estilo de apresentação desse memorial circunstanciado. Recordava-me das atividades que podiam contribuir para um julgamento global de minha qualificação pessoal e profissional, dos trabalhos desenvolvidos, bem como das reflexões teóricas sobre pontos significativos de minha trajetória existencial se articulando com o projeto de investigação e a linha de pesquisa da Filosofia, Linguagem e Práxis Pedagógica, que fossem capazes de revelar-me, mostrando a pertinência da minha proposta de educadora e a sua implicação na vida prática e cotidiana das escolas.
       De repente, em meio a tudo aquilo, me vi diante de um dos meus antigos diários, que me acompanhava sempre, era inseparável, uma espécie de amigo fiel; “natural” para uma mulher de 45 anos de idade. Nele, estava escrito: “A formação do educador – pergunta-se: (1) Como eu posso me comprometer com uma educação libertadora dentro da sociedade em que nós vivemos? (2) De que modo a minha graduação em pedagogia está contribuindo para um trabalho baseado na liberdade partilhada e na construção conjunta?” Esse texto me levou para os outros textos, inclusive os já descritos aqui...
Esse movimento de rememoração dos acontecimentos, dos desejos, dos fatos, dos feitos, dos imaginados e das atitudes (com raiva ou com amor) trouxe à tona densas tramas, tocadas por múltiplas razões de ser. Tal rememoração me levou a experienciar instantes de solidão profunda.  
      Como Paulo Freire, compreendo a solidão intrinsecamente relacionada à comunhão:
[...] experimentar a solidão, enfatiza em mim a necessidade de comunhão. Enquanto adverbialmente só é que percebo a substancialidade de estar com. É interessante pensar agora o quanto sempre me foi importante, indispensável mesmo, estar comEstar só - tem sentido, ao longo de minha vida, uma forma de estar- com. Nunca me recolho como quem tem medo de companhia, como quem se basta a si mesmo, ou como quem se acha uma estranheza no mundo. Pelo contrário, recolhendo-me conheço melhor e reconheço minha finitude, minha indigência, que me inscrevem em permanente busca, inviável no isolamento. Preciso do mundo, como o mundo precisa de mim. O isolamento só tem sentido quando, em vez de negar a comunhão, a confirma como um momento seu. (FREIRE, 2001, p.17)
      Diante disso, reconheço a importância de desenvolver um projeto, trazendo, à luz da compreensão desses autores, a questão da formação da bondade humana. Nesse momento, todo o meu potencial está voltado para desenvolver  propostas de trabalho, em decorrência de tudo que já mencionei e dos fatos históricos ocorridos, “simultaneamente”, envolvendo diretamente questões relativas ao processo de educação dos seres humanos.
      Em Salvador, um jovem adolescente que assassinou duas colegas de classe, e, mais recentemente, em Santo Antônio de Jesus, interior da Bahia, uma criança de 11 anos de idade que colocou remédio de rato no lanche e ofereceu aos colegas para matá-los. O que estamos fazendo a nós mesmos, seres humanos-humanidade, quando criamos nossa sociedade sedimentada na classificação e na competição desenfreadas? O que e como estamos disponibilizando as nossas práticas pedagógicas? Para quê e por quê? Será que evidenciamos o amor-próprio e sufocamos o amor-de-si? Estas são algumas das questões que questiono...
 


       Eu gosto de escrever, pois, as palavras voam os escritos permanecem. “Se penso que devo escrever um livro, todos os problemas,  os problemas de como esse livro deve ser e como não deve ser me bloqueiam e me impedem de ir adiante. Se ao contrário,  penso que estou escrevendo uma biblioteca inteira, sinto-me imediatamente aliviada: Sei que qualquer coisa que eu escrever será integrada, contradita, equilibrada, amplificada, sepultada nas centenas de volumes que me resta escrever”.
                                         Ítalo Calvino




Escola Municipal Irmã Leonilde Dal pos

Gestar I 2010



A formação do Gestar I compreende 300h/a (sendo 96 presenciais e 204 à distância) para a capacitação do professor-formador, responsável por planejar, conduzir e avaliar as oficinas dos cursistas; acompanhar e orientar os cursistas em seus estudos individuais, prática pedagógica, etc; e colaborar com as discussões pedagógicas relacionadas aos materiais e ao curso.







        Abraçar o novo A lagosta vivia tranqüilamente no fundo do mar, protegida pela sua carapaça dura e resistente. Mas, dentro da carapaça, a lagosta continua a crescer. Ao final de um ano, sua casa ficou pequena e ela tem de enfrentar um grande dilema: ou permanece dentro da carapaça e morre sufocada ou arrisca sair de lá, abandonando-a, até que seu organismo crie uma nova carapaça de proteção, de tamanho maior, que lhe servirá de couraça por mais um ano. Vagando no mar, sem a carapaça, a lagosta fica vulnerável aos muitos predadores que se alimentam dela. Mesmo assim, ela sempre prefere sair. Dentro da carapaça, que se transformou em prisão, ela não tem nenhuma chance. Fora, sim. Muitas vezes, ao longo da vida, nós ficamos prisioneiros das carapaças que são hábitos repetitivos, os condicionamentos alienantes, as situações às quais nos acomodamos, mas que, exauridas e desgastadas, nada mais têm para nos oferecer. E acabamos, por falta de coragem de mudar, nos acostumando ao tédio de uma vida monótona que, fatalmente, como a velha carapaça da lagosta, acabará por nos sufocar. Façamos como a lagosta: troquemos a velha e apertada carapaça por uma nova. Mesmo sabendo que, por algum tempo, estaremos desprotegidos ao enfrentar uma nova situação. Largar o velho e abraçar o novo é, muitas vezes, a única possibilidade de sobreviver do professor em sala de aula.

 




       Enquanto escrevo minhas memórias, não posso deixar passar despercebido o fato atual, quero expressar a minha indignação contra grupos políticos que agem de forma a contribuir para a descrença do povo na política, classificados por muitos como clientelismo, “ a política da clientela, aquela que se faz em troca de favores e proteções, muitas vezes envolvendo o abuso econômico ou o estelionato político”.
        Balançam ao vento as velhas e coloridas bandeiras partidárias. Lá embaixo, mãos calejadas, braços doridos, rostos molhados de suor, formam um conjunto humano entregue à esperança. Estamos no período das eleições tudo   mais evidente  quando  temos um povo necessitado, capaz de entrar no jogo de facções em troca das migalhas prometidas. É vergonhoso ver a balbúrdia que bóia na privada dos políticos, que levam consigo, a gentileza dos filhos da pátria e um discurso bem ensaiado. É desconfortante andar pelas ruas da cidade e se sentir pressionada por uma militância fugaz e sem raiz. É humilhante ver politiqueiros defecando na cabeça de quem os carregam. Salvo em saber que não é só um partido que forma um pleito partidário; já que o cenário também é composto por trabalhadores, comunistas, progressistas, ativistas e outros “istas”.
      E nas esquinas, palanques, comícios, carreatas reina soberana a hipocrisia de nossos candidus. Melhor chamarmos de leões, uma vez que na antiguidade “candidus” eram aqueles que se vestiam de branco para simbolizar sua pureza na disputa de um cargo público.
      Hoje a cena é outra e esse hímen já fora rompido há tempos. É! Fazer politicagem é fácil, o difícil é fazer política…

       E enquanto a política reina, balançam ao vento as velhas e coloridas bandeiras partidárias sob os fracos raios do acaso; e lá embaixo, mãos calejadas, braços doridos, rostos molhados de suor, formam um conjunto humano entregue à esperança.
 






      Em ultima instância, a soberania popular não existe, se não como farsa, a política aqui tem sido vista de forma depreciativa e violenta, o que poderemos entender a política eleitoral? Como um grande jogo político de revezamento de poder existentes, representados pela mesma família, o que vemos em nossa cidade é a compra de voto é o assédio moral  para conquista de um voto.                     São todos farinha do mesmo saco, seus vacalheiros, são todos a mesma corja de abutres atrás de seu pedaço de carne do povo, poder e dinheiro. Governam para ser o governo e não para o povo, e eles se acham acima das leis e das pessoas que os elegeram.
      Vamos deixar a política de lado e voltar ao que interessa, pois sabemos que ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo, más qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.


 Últimas palavras, ou das considerações finais
       Quero ressaltar algo de sumo importância: A conclusão do Gestar l (gestão da aprendizagem escolar). Para mim foi mais do que um curso de formação continuada, ele é um conjunto de ações articuladas que foram desenvolvidas na prática  contribuindo para a qualidade do atendimento ao aluno, reforçando a competência e a autonomia  dos professores na sua prática pedagógica.
       Sei que tudo que passei ainda não é o suficiente, tenho muito que aprender. As teorias mencionadas no curso me proporcionaram reflexões, onde pude reverter a minha prática pedagógica e repensar as concepções dos autores que acreditam na educação como determinante da identidade do educando, os quais os levam a refletir sobre as questões da educação propiciando à criação de um trabalho significativo que favoreça o aluno à argumentação, a visão crítica da realidade, à observação, à reflexão e a apropriação de instrumentos culturais que permitam a modificação e interação social.    Presenciei ainda reflexões mais profundas acerca do processo educacional, perante ás quais puderam detectar que o educando deve atuar como sujeito do processo de aquisição do conhecimento da língua escrita e cálculos matemáticos, mediante a interação como o meio social, com o próximo, e consigo mesmo.
       As diversidades de concepções vigentes no curso fizeram-me pensar em uma escola orientada para o desenvolvimento da competência e para que isso ocorra é preciso trabalhar por resolução de problemas, projetos, propor tarefas complexas e desafiantes, trabalhando com interdisciplinaridade utilizando  várias fontes para que o aluno prepare-se para a vida na sociedade moderna.

Diante de tal posição, percebo que o GESTAR I tornou-se um marco na minha vida, um sonho realizado fazendo-me questionar sobre minhas ações tanto pessoais quanto profissionais, eis aí um jeito novo de caminhar.
A sensação que eu tenho hoje, após ter participado do GESTAR é a de que escrevi a história de um livro de sucesso. Como um escritor, tive dificuldade em iniciar o trabalho, em escrever as primeiras palavras. Mas, depois que comecei,  apaixonei-me e cheguei ao término do livro com a certeza de que ele foi e será um Best-seller.
          Autora: Carlota Nunes de Almeida formada: em Pedagogia, Psicopedagogia, gestão escolar, e cursista do Curso Gestar I.
         Portanto o que resta é agradecer: Agradeço a Deus pelos os dons da vida e da fé, aos meus pais, pelo o exemplo de garra e dignidade de que tanto me orgulho.
        Aos professores (tutores) Maria José e Ivo Brasil, escultores do ser humano que numa parceria com Deus, vão moldando o caráter do  homem/ ou mulher enobrecendo-o para que seja um cidadão/ou cidadã capaz útil e realizado. Em especial ao meu esposo Valmir e minha filha Marília, pela motivação prá lutar em busca de mais um desafio.
        Finalmente a todos que estiveram presentes nos momentos difíceis de minha trajetória de vida ajudando-me guiando-me na busca de adquirir mais conhecimentos na vida educacional, profissional, e pessoal, por aqueles que deram e dão segurança aos meus passos permitindo-me que prossiga firme nas estradas da vida.




Referências

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. História do menino que lia o mundo. Veranópolis, Rio Grande do Sul: Iterra Editores, 2001. (Coleção Fazendo História n.º 7, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST)

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade.  10.ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.
_________. Pedagogia da Esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. 7.ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000.

_________. À sombra desta mangueira. São Paulo: Olho d’Água, 2001.

GERALDI, João Wanderley. Linguagem e Ensino: exercícios de militância e divulgação. São Paulo: Mercado das Letras, 2002.

_________. Portos de Passagem. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. trad. Márcia de Sá Cavalcante. Rio de Janeiro: Vozes, 1996 — Parte I. (Coleção Pensamento humano)
OSAKABE, H. Considerações em torno do acesso ao mundo da escrita. In: ZILBERMAN, Regina (org.) A leitura em crise na escola. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio, ou, Da educação. / Trad. Roberto Leal Ferreira.  São Paulo: Martins Fontes, 1999. – (Paidéia)

STAROBINSKI, Jean. Jean-Jacques Rousseau: a transparência e o obstáculo; seguidos de seis ensaios sobre Rousseau. Tradução Maria Lúcia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.




ANEXO













CARLOTA N. ALMEIDA





                                                                                                         

                                 Foto: 01 ano de vida, Ceará

Quem sou eu: Eu sou feita de sonhos interrompidos detalhes despercebidos amores mal resolvidos. Sou feita de choros sem ter razão, pessoas no coração atos por impulsão. Sinto falta de lugares que já conheci, experiências que já vivi, momentos que não esqueci.
Eu sou amor e carinho constante, distraída ate o bastante não paro por um instante.
Já tive noites mal dormidas, perdi pessoas muito querida, cumpri coisas não prometida, muitas vezes eu desisti sem mesmo tentar, pensei em fugir, para não enfrentar, sorri para não chorar. Eu sinto pelas coisas que eu não mudei, amizades que  não cultivei, aqueles que eu julguei, coisas que eu falei.
Tenho saudades de pessoas que fui conhecendo, lembranças que fui esquecendo, amigos que acabei perdendo, mas continuo vivendo e aprendendo, e também amadurecendo.
Entendi que quando eu sofro eu aprendo... Que a dor me ensina a viver... Que a vida é um lindo caminho... Ao qual iremos crescer.
Descobri que não é fácil viver, que o destino nos reserva a dor... Mais que a tristeza termina... Onde começa o amor, e para sermos alguém basta sermo-nos mesmos.



RECORDAÇÃO REGIÃO NORDESTE, ESTADO DO CEARÁ

Recordações: Quando eu tinha mais ou menos 12 anos  no interior do Ceará no dia das mães em homenagem a minha mamãe, recitei esta frase: Mãe!  eu volto a te  ver na antiga sala onde, uma noite, te deixei sem fala dizendo adeus como quem vai morrer e me viste sumir pela neblina, porque a sina  das é sina amar criar depois perder.
Perder o filho é como achar a morte, perder o filho quando grande e forte já podiam ampará-la e compensá-la, mas nesse instante uma mulher bonita, sorrindo o rouba... E a filha mãe, aflita ainda se volta para abençoá-la.
Assim partir me abençoaste, fui esquecer o bem que me ensinaste, fui para o mundo me deseducar e tu ficaste no silencio frio, olhando o leito que eu deixei vazio, cantando uma cantiga de ninar.
Hoje volto coberto de poeira e te encontro quietinha na cadeira a cabeça pendida sobre o peito, quero beijar-te a fronte e não me atrevo, quero acordar-te mais não sei se devo não sinto que me cabe esse direito. Eu te esqueci as mães são esquecidas, vivi a vida, vivi muitas vidas e só agora quando chego ao fim traído pela ultima esperança, e só agora quando a dor me alcança lembro quem nunca se esqueceu de mim! Não, eu devo voltar ser esquecidas más... que foi: de repente  ouço um ruído a  cadeira rangeu é tarde agora minha mãe se levanta , abrindo os braços e me envolvendo num milhão de abraços, rendendo graças z diz meu filho e chora, e chora e treme como fala e rir, e parece que Deus entrou aqui em  vez dos últimos dos condenados, e o seu pranto rolando em minha  face, quase e como  se o céu me perdoasse me limpasse de todos os pecados, mãe  nos teus braços eu me transfiguro, lembro que fui criança , que fui pura, sim tenho mãe  e está ventura é tanta , que compreendo o que significa o filho é pobre mais a mãe é rica o filho é homem mais a mãe é santa, santa que eu fiz envelhecer sofrendo más que beijo como agradecendo toda dor que por mim foi causada dos mundos onde andei nada te trouxe, mais tu me olhas num olhar tão doce, que nada tendo não te falta nada. Dia das mães é o dia da bondade maior, que todo o mal da humanidade, purificada no amor fecundo, por mais que o homem seja um ser mesquinho, enquanto a mãe cantar junto a um becinho cantará esperança para o mundo.
 


                                Foto: No ceara, minha terra natal


RECORDAÇÃO REGIÃO SUDESTE, ESTADO SÃO PAULO
Recordo quando me casei ao viajar para Roraima lendo uma mensagem muito parecida com a minha historia: Arvore dos meus amigos. Existem pessoas em nossas vidas que nos deixa felizes pelo o simples fato de terem cruzado o nosso caminho, algumas percorrem ao nosso lado, vendo muitas luas passarem, más outras apenas vemos entre um passo e outro, a todos eles chamamos de s amigos. Há muitos tipos de amigos talvez cada folha de uma arvore caracterize um deles. O primeiro que  nasce do broto é o amigo pai e o amigo mãe.
Mostram o que é ter vida. Depois vem o amigo irmão, com quem dividimos nosso espaço para que ele floresça como nós passamos a conhecer toda família de folhas a qual respeitamos e desejamos o bem, mais o destino nos apresenta outros amigos quais não sabiam que iao cruzar o nosso caminho   muitos desses denominados amigos do peito, do coração, são sinceros, são verdadeiros sabem quando não estamos  bem, sabe o que nos faz feliz... As vezes um desses amigos do peito estala o nosso coração e então é chamado de amigo namorado. Esse dá brilho nos olhos. Musica aos nossos lábios, pulos aos nossos pés, más também há aqueles amigos, por um tempo talvez umas férias, ou mesmo um dia ou uma hora, estes costumam colocar muitos sorrisos na nossa face, durante o tempo que estamos por perto, falando em perto, não podemos esquecer os amigos distantes, aqueles que ficam nas pontas dos galhos, mas que quando o vento sopra, sempre aparecem novamente entre uma folha e outra, o tempo passa o verão se vai, outono se aproxima e perdemos algumas de nossas folhas, algumas nascem num outro verão, e outras permanecem por muitas estações, mais o que nos deixa mais feliz é que as que caíram continuam por perto, continua alimentando a nossa raiz com alegria.
Lembranças de momentos maravilhosos enquanto cruzavam com o nosso caminho. Desejo a você Valmir... e Marília... Folha da minha arvore paz, amor, saúde, sucesso, prosperidade... hoje e sempre simplesmente porque: Cada pessoa que passa em nossa vida é única. Sempre deixa um pouco de si, e leva um pouco de nós, há os que levaram muito, más não há os que não deixaram nada. Esta é a maior responsabilidade de nossa da e a prova evidente de que duas almas não se encontram por acaso.
 




                                Foto: Casamento 29/julho/2000, SP.





RECORDAÇÕES REGIÃO NORTE ESTADO, RORAIMA
Escola Jesus de Nazaré, 2003
 





Casei-me no dia 29 de julho de 2000. Dessa união tivemos uma filha a nossa Marília.
Vida é algo que nós não produzimos, más acolhemos. É um fenômeno que emerge de forma misteriosa dentro da criação.
 



Marília nasceu dia 29 de novembro de 2003...

Agradeço a Deus por ter me dado Marília minha “vidinha” por sua pureza, ternura e alegria que me encheu durante os dias tristes e atribulados que passei.



MINHA TRAJETORIA ESCOLAR
   
 



Ensino Fundamental









   



Ensino médio         






            


 

Graduação  











Pós Graduação







 A educação não é uma formula de escola, mas uma prática de vida.
                                                                                     Freinet
        



         Progestão                                        



















Gestar I 2010
















TALVEZ NÃO TENHAMOS CONSEGUIDO FAZER O MELHOR, MAS LUTAMOS PARA QUE O MELHOR FOSSE FEITO.  NÃO SOMOS O QUE DEVERIAMOS SER, NÃO SOMOS O QUE  IREMOS SER, MAS, GRAÇAS A DEUS, NÃO SOMOS O QUE ERAMOS
                                                 Martin Luther King.
AGRADEÇO A DEUS QUE APROVOU, CONFIRMOU E ACOMPANHOU A EMPREITADA DESSAS TRAJETORIA.
                                                        CARLOTA NUNES DE AMEIDA



A VIDA COM CRISTO DEUS TRINO
        



A familia escola e igreja são a imagem de Deus, pois ela revela Deus no mais intimo do seu mistério. Pois Deus não é solidão, mas é familia, Pai, Filho e Espírito Santo: A Familia Divina. A familia é uma aliança de pessoas. Para sua aliança, elas são chamadas amorosamente pelo Pai. Homem e mulher são chamados por Deus para uma vida de intima comunhão de amor.
        O amor conjugal é uma aliança, eles se unem de acordo com o plano de Deus, para servir a vida. E ele Deus lhes confiou a missão de crescer e multiplicar, são chamados a ser participantes do poder criador de Deus para transmitir o dom da vida, gerando novos seres humanos. Familia, portanto é uma comunidade de amor, que é convidada a participar da força criadora de Deus.
Carlota Nunes de Almeida, 17/11/1964, Valmir Barbosa Cruz, 25/12/1965,  Marília Almeida Cruz, 29/11/2003.
Mucajai – RR
2010













 













  

















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